
Ao Pai que todos gostariam de ter…
Não sei falar de meu Pai sem chorar. Bem como não sei vê-lo sem rir. Mas vou tentar falar sobre o Dia dos Pais.
Vi na TV o Fábio Jr chorando ao falar do filho. Do quanto é bom ouvir as pessoas elogiando sua cria. E pensei: será que o filho do Fabão ouve tantos elogios a respeito do seu Pai, como eu ouço a respeito do meu? Tenho minhas dúvidas. Então resolvi comparar, afinal o Fábio Jr é um dos ídolos do meu pai.
Meu Pai casou uma vez. O Fabão casa bienalmente.
Fábio Jr canta Caça e Caçador. Meu Pai já sabe até o número da música no videokê (e a família também, 3036).
Meu Pai não fuma e não bebe. Fabão faz os dois.
Fabão teve as algumas das mulheres mais lindas do mundo. Meu Pai casou com a mais linda e melhor de todas.
Meu Pai joga bola. o Fábio Jr jogador é outro.
Meu Pai é BAÊÊÊÊÂ, cara. Não sei se o Fabão é rubro-negro…
Meu Pai fala cinco idiomas. Fábio Jr eu só vi cantar em inglês.
TODOS ELOGIAM MEU PAI. O Fabão sofre algumas críticas.
Meu Pai transforma as pequenas coisas ruins em grandes coisas maravilhosas. E o Fabão, não.
Mas antes que comecem a dizer que estou sendo tendencioso para um dos lados, o Fábio Jr vence meu Pai em um critério. Ele fez e interpretou a música “PAI”. Uma das maiores composições da MPB e uma tradução fiel daquilo que representa o Sr. Ruy Fernandes Cerqueira em nossas vidas.
Agora que as lágrimas já rolaram, deixo o derrotado Fábio Jr homenagear aquele que sempre foi meu herói e hoje é mais muito mais que um amigo. Um exemplo de vida irrefutável e uma dádiva concedida para quatro privilegiados jovens, que podem ter o orgulho de chamá-lo de PAI.
Feliz Dia dos Pais, a todos os Pais do mundo. E em especial, é claro, ao melhor deles. O meu, é claro! (foi mal, Fiuk).
autor

ERICK DA SILVA CERQUEIRA é publicitário, designer e articulista. Com trajetória ligada à comunicação, à criação gráfica e à preservação da memória, construiu sua carreira entre palavras, imagens e narrativas.
Autor do livro O Que Corre em Mim – Filhos do Sol e do Sal, onde estreia na literatura ao transformar lembranças familiares, relatos e vestígios do passado em uma narrativa sobre origem, identidade e herança.
Entre o sertão e a cidade, entre a história íntima e a memória coletiva, conduz o leitor por caminhos onde o que passou nunca deixa de permanecer.