
Lula III contra as suas blitzkrieg diárias
Lula retorna ao governo após 13 anos e o mundo é completamente outro. Os desafios da reconstrução de um Brasil devastado são gigantescos e o Orçamento 2023 precisou ser completamente refeito ainda em dezembro. Enquanto isso, manifestantes acampavam em portas de quarteis, bloqueavam estradas e tocavam fogo em ônibus na capital do país.
A equipe de transição já adiantava a análise do desmonte do Estado, enquanto o ex-presidente tentava reaver joias roubadas, recebidas por um príncipe das arábias, e se preparava para fugir do país, antes do fim do seu mandato.
Lula já governava o país em dezembro, já derrubava a política irracional do Teto de Gastos enquanto costurava acordos para o futuro arcabouço fiscal.
Ao invés de uma Carta aos Brasileiros, o presidente eleito lutava no Congresso para conseguir apoio e votar as mudanças no Orçamento. E conseguiu.
O presidente toma posse, e aos que diziam que ele “não subiria a rampa”, ele subiu com representantes do povo e até o cachorro dele. Uma das imagens mais bonitas da Nova República, graças a fuga do ex-presidente derrotado. E quando todos estavam felizes e esperançosos, veio a tentativa final do Golpe de Estado. Mas como tudo planejado por esse grupo de extrema-direita, deu errado.
Lula não cedeu à pressão para pedir a GLO e atuou firme, ao lado do Ministro Flavio Dino, para conter os golpistas que depredaram as Sedes dos 3 Poderes, decretando Intervenção Federal em Brasília. Passada a batalha se uniu aos chefes dos outros Poderes e inspecionou o ato dos vândalos golpistas. Mais de 1000 pessoas presas. Prejuízos gigantescos ao patrimônio público, crise com militares do Exército, mas tudo foi reconstruído.
Agora era hora de governar. Recriou o Ministério da Cultura e mais 16 Ministérios. Reativou o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, a Farmácia Popular, o Programa de Vacinação. Deu aumento real do Salário Mínimo após 6 anos, se encontrou com reitores, inaugurou universidade. Decretou o fim da PPI, diminuiu preço de combustíveis e a inflação. Trouxe bilhões em investimentos internacionais para o Brasil, diminuiu preço dos veículos e derrubou o dólar. Conseguiu mais alguns milhões para o Fundo Amazônia, salvou a vida de centenas de ianomâmi e combateu o garimpo ilegal. Fez mais bilaterais com Chefes de Estado, em 5 meses, que seu antecessor nos 4 anos mandato. Mas para a imprensa local está tudo errado.
“Lula não falou com Zelensky”, “Lula viajou mais de helicóptero que Temer e Bolsonaro”, “Lula quer governar só para os pobres”, “Lula fala em diminuir preço dos carros populares e derruba valor de semi-novos”, “Lula gastou 90 mil num quarto de hotel”, “Janja compra uma gravata em loja cara no exterior”, “Quanto custou o sofá que Janja comprou pro Palácio do Planalto”…
O Brasil voltou ao cenário mundial. Mas com ele, voltou também a imprensa de oposição, que tanto perseguiu o petista em seus 8 anos de mandato. Para piorar, dessa vez as pautas negativas ganham maior destaque na mídia, por causa das redes sociais. E ali, no submundo do bolsonarismo, eles ganham adesão e compartilhamentos. Agora, as fakenews não vem somente do Terça Livre ou jornaldacidadeonline. Vem de veículos como CNN, que noticiou a mentira do valor da diária do quarto de hotel em que Lula ficou, na posse do Rei Charles. E depois de milhões de compartilhamentos veio o desmentido que ninguém viu.
O governo precisa acordar para o perigo da desinformação, das fakenews e das notícias reais descontextualizadas. Os tempos são outros e não se pode mais viver no analógico. A notícia que sai amanhã nos jornais, já foi exaurida nas redes sociais desde ontem. São tempos de Blitzkrieg diárias, de informações. E nessa guerra, o governo Lula III, ainda não se encontrou no campo de batalha.
autor

ERICK DA SILVA CERQUEIRA é publicitário, designer e articulista. Com trajetória ligada à comunicação, à criação gráfica e à preservação da memória, construiu sua carreira entre palavras, imagens e narrativas.
Autor do livro O Que Corre em Mim – Filhos do Sol e do Sal, onde estreia na literatura ao transformar lembranças familiares, relatos e vestígios do passado em uma narrativa sobre origem, identidade e herança.
Entre o sertão e a cidade, entre a história íntima e a memória coletiva, conduz o leitor por caminhos onde o que passou nunca deixa de permanecer.