Prefácio de Bule-Bule – Nem tanto nem tão quanto

Ontem à noite, eu, meditando, pensando nos comprimentos da vida, lembrei dos últimos dias de sacrifícios da vida do meu pai, quando ele, no Hospital Roberto Santos, com dificuldade, me disse:
“Bule, eu nunca deixei um companheiro no meio do caminho, nunca!”
Lembrando este momento, eu me junto ao companheiro Erick Cerqueira para comemorar o nascimento do seu primeiro filho literário, que chega para marcar uma página da sua vida com a narrativa histórica da sua trajetória familiar. Juntando um trecho de Pernambuco, uma nesga de Alagoas e uma banda da Bahia, formou-se este conglomerado que sua nobre maneira de narrar, como um mestre da comunicação que é, já derrama sua capacidade nas crônicas esportivas, nos comentários políticos e não seria diferente narrando sua história, falando da sua gente e, de boa maneira, mostrando os absurdos cometidos da época que perduram até agora.
O que corre em mim, filhos do sol e do sal, é, ao meu ver, um punhado de crônicas desencantadas para serem contadas em outros momentos.
Chegou a hora no aniversário de Nenga.
Não será um bolo em forma de livro, e sim um livro em forma de poema, conto e crônica, com a presença de Ezequiel, trazendo Dona Cassiana, Lupicínio e Antônio Salineiro – in memoriam – , e os outros personagens que vieram povoar a sua mente para depois se arranchar nas dependências das nossas lembranças.
Peço desculpas aos seus leitores, não sou escritor; a minha certeza é que sou amigo de Erick Cerqueira.
O meu pai me disse: “filho
Não se encoste em pau de espinho,
Se tem dúvida caia fora,
Siga a viagem sozinho,
Nunca deixei, e nem deixo,
Amigo em meio de caminho”
Erick entrou num labirinto
Por causa do “ouvir dizer”
Achou topázio, rubi
Deixou lá, não quis trazer
Voltou com a Turmalina,
Revelação do seu ser.
Nenga é a Turmalina,
Super preciosidade,
Oxigênio para vida,
Sustentáculo da verdade,
Amém da sua oração,
Motivo da inspiração,
Para espantar a saudade.
Razão da sua existência,
Descanso para seu cansaço,
Agasalho para seu frio,
Vento para seu mormaço,
Outono para seu pomar,
Leme para seu navegar
Meiguice no seu abraço
Tônico para recém-nascido
Colo de sublime amparo
Mãe duas vezes que traz
O leite materno caro
Feito de lágrima e suor
Deixando ainda melhor
Põe sangue e deixa mais raro
Dona Nenga é tudo isto e muito mais.
Merece continuidade esse debulhado de crônicas a seu respeito.
Camaçari, 24 de abril de 2026
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autor

ERICK DA SILVA CERQUEIRA é publicitário, designer e articulista. Com trajetória ligada à comunicação, à criação gráfica e à preservação da memória, construiu sua carreira entre palavras, imagens e narrativas.
Autor do livro O Que Corre em Mim – Filhos do Sol e do Sal, onde estreia na literatura ao transformar lembranças familiares, relatos e vestígios do passado em uma narrativa sobre origem, identidade e herança.
Entre o sertão e a cidade, entre a história íntima e a memória coletiva, conduz o leitor por caminhos onde o que passou nunca deixa de permanecer.




