Prefácio de Patrícia Sá – Da família de todos nós

Quando fui convidada para fazer o prefácio de “O que corre em mim, filhos do sol e do sal”, a partir da perspectiva da família Cerqueira, além de honrada, me senti desafiada.
Como apresentar o mais fidedignamente possível a história de uma família que não é a minha?
A saga de Lupicínio Cerqueira, filho de dona Cassiana e Sr. Antônio Salineiro. O menino que, aos seis anos de idade, conheceu e se encantou com Ruy Barbosa.
Como apresentar a história do vendedor de galinhas vivas recém-migrado para a capital baiana?
De que forma resumir os passos do centro médio canhoto que desistiu da carreira de jogador de futebol após muita luta, vitórias e outras tantas derrotas para os zagueiros dos times adversários?
Como falar, brevemente, de tio Ruy, o pai do meu amigo Erick? Aqui, no livro, apresentado como Ruy, o filho de Lupicínio e dona Dedé. O fruto de um amor que nasceu alegre, numa roda de samba nos idos dos anos 40.
De que maneira apresentar a resiliência dessa família?
Uma família que, após ter o telhado da casa desabado, não deixou ruir a união, a perseverança e a vontade de viver e vencer.
Acontece que, para além da narrativa tão bem delineada pelo autor, que obviamente facilita a percepção das vivências familiares, no fundo todos nós conhecemos, se é que não somos nós mesmos, um Lupicínio Cerqueira. Um alguém que se reinventa a partir da necessidade.
Todas as famílias têm algo em comum. Um passado que se desdobra em presente. Uma história que ultrapassa a fronteira do tempo para permanecer nas gerações que se sucedem. Inscrita no nosso DNA, no nosso sangue, nas nossas memórias e, mais ainda, nas nossas ações. E é isso que vemos tão bem traduzido em “O que Corre em Mim”.
E foi assim que, com alegria, aceitei a missão e tracei essas breves linhas. Porque no fundo a história da família Cerqueira poderia ser a história da minha ou da sua família. Da família de todos nós.
Salvador, 5 de maio de 2026
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autor

ERICK DA SILVA CERQUEIRA é publicitário, designer e articulista. Com trajetória ligada à comunicação, à criação gráfica e à preservação da memória, construiu sua carreira entre palavras, imagens e narrativas.
Autor do livro O Que Corre em Mim – Filhos do Sol e do Sal, onde estreia na literatura ao transformar lembranças familiares, relatos e vestígios do passado em uma narrativa sobre origem, identidade e herança.
Entre o sertão e a cidade, entre a história íntima e a memória coletiva, conduz o leitor por caminhos onde o que passou nunca deixa de permanecer.




